O verdadeiro valor do designer para as organizações

Quem é o designer? Produtor de visualidade? Desenhista? Profissional da forma? Esses títulos possuem de fato relação com o trabalho de um designer, mas nenhum deles o define em sua completude. A resposta mais interessante para essa pergunta é: o designer é um pensador e explorador de soluções. Para todo problema existe, no mínimo, uma solução. Dentro de suas competências, através de metodologias, próprias ou não, o designer vai buscar maneiras de se chegar a essa solução, escolhendo aquela que mais se adeque ao requisitos pré-determinados e que possua um caráter criativo e diferenciado.

 

“Design é a solução para um problema. Arte é a questão para um problema.”
John Maeda

 

Pensando dessa maneira, acaba parecendo um tremendo desperdício que profissionais com tal capacidade criativa e conhecimento multidisciplinar se dediquem apenas a desenhar peças gráficas ou produtos, parando por aí e passando o trabalho adiante. Por isso, o modo singular de pensar e enxergar o mundo do profissional do design já está sendo reconhecido como uma ferramenta poderosa no mundo dos negócios. É o tal do Design Thinking. Trata-se de um modelo de pensamento estabelecido a partir do modelo mental que os designers usam para a criação de ideias e descoberta de soluções.  Esse modelo de pensamento é passível de ser aplicado em qualquer negócio, por qualquer pessoa.

Temos então o design atuando no planejamento estratégico de empresas, seus planos de negócios e sua gestão como um todo. E o designer? Seguindo essa linha de pensamento, o designer está apto a trabalhar ao lado de gestores e presidentes. Mas então qual a razão dessa realidade ainda não ser a da maioria das empresas?

Primeiro temos que pensar que tudo isso se trata de um processo de transição. Nem todos ainda percebem a importância e pertinência do design, principalmente para além do que ele se propunha antigamente. Além disso, muitos dos próprios designers ainda não enxergam a si mesmos como profissionais capacitados para trabalhar com a gestão de empresas, limitando-se ao trabalho prático projetual. E isso tem muita ligação com o segundo ponto a ser citado, que é a falta de uma preparação acadêmica voltada para inserção do profissional no ambiente empresarial estratégico. Hoje, o ensino do design no Brasil ainda é muito pautado em modelos clássicos, formando o aluno como um técnico. Porém, analisando o atual cenário em que nos encontramos, com o design eclodindo como ferramenta competitiva e diferenciadora, é imprescindível uma nova abordagem acadêmica, visando transformar o aluno em um pensador do design, capaz de refletir e produzir inovação.  

É comum profissionais experientes discursarem que aqueles que adentram no mercado, capacitados em matéria de gestão e estratégia, conseguem atuar de maneira muito mais efetiva e segura. Hoje, trata-se de um grande diferencial. Entretanto, ainda que as universidades não explorem significantemente essas situações, existem outras oportunidades de desenvolvimento em gestão e empreendedorismo disponíveis para os universitários, como as empresas juniores. E fora da universidade, já podemos encontrar um mercado em transição, com novas iniciativas e modelos de trabalho que valorizam o conhecimento multidisciplinar e o aprendizado colaborativo. A Pyx Network é um exemplo disso, onde designers trabalham ao lado de administradores no desenvolvimento de projetos estratégicos e na gestão da rede como um todo.


São iniciativas assim que alavancam mudanças, tanto no ambiente da 
universidade como do mercado.


Onde estiverem trabalhando, os designers devem buscar conquistar seu espaço e mostrar sua capacidade de atuar em um âmbito muito mais abrangente e estratégico, sem se limitar às suas funções técnicas. Se assumirem essa postura, haverá uma maior conscientização do mercado sobre o alcance do trabalho do designer e o quanto uma empresa pode se beneficiar, não só do seu modelo de pensamento,
mas da colaboração de um verdadeiro design thinker.