O que você quer ser quando crescer?

A pergunta que toda criança escuta repetidas vezes ao longo da vida.

Desde pequenos, somos pressionados a escolher profissões que nos dão estabilidade financeira, que trazem algum tipo de status social, ou que sejam mais prováveis de “sucesso”. E assim as pessoas crescem, limitadas por uma perspectiva “realista”. Formam-se adultos frustrados, com profissões que sofrem para praticar todos os dias,  estilos de vida que levam a problemas de saúde, ambições que aumentam a cada nova conquista e uma vida que não preenche o vazio existencial que as habita.

Este ciclo precisa acabar. Ter ambições para impressionar outras pessoas, alcançar objetivos que antes mesmo de serem comemorados são substituídos por novos, ter o sucesso medido por retorno financeiro a qualquer custo, priorizar a carreira em relação ao amor.

Somos levados a pensar que são essas as escolhas que nos levarão à felicidade. Será? Os índices de depressão, ansiedade, insônia, síndrome do pânico e de Burnout nos provam que a resposta é não. Falta amor. Esta é a conclusão que chego. Amor a si mesmo, amor às pessoas ao redor, aos pequenos momentos, às novas experiências e descobertas. Há muito tempo se fala sobre inversão de valores e plenitude, mas o que de fato mudamos no nosso dia-a-dia? Será que vivemos a vida conscientes?

Conscientes..?

Sim, consciência é o que nos permite entender o que nos preenche.

Consciência daquilo que verdadeiramente nos traz felicidade, auto-realização e paz. Consciência do amor. Pelo que somos apaixonados? O que faz sentirmos nosso dia-a-dia completo?

É essa consciência que deveria guiar nossas escolhas, nossas atitudes, nossos objetivos e caminhos. Ela deveria definir nossa carreira, onde vamos morar, como vamos passar nossos dias, com quem vamos conviver e o que vamos construir. Essa consciência é que marcaria nosso impacto no mundo, deixaria nosso legado.

Sem a consciência ficamos cegos. Aceitamos as coisas conforme são ditas, tomamos as decisões mais fáceis para o ego (e você pode estar pensando: mas eu trabalho muito! Não é nada fácil. Mas não se trata deste fácil. É o fácil de explicar, o fácil de mostrar a outros, o que é aceito e reconhecido mais facilmente) e deixamos a vida passar sem realmente viver. Sem realmente nos descobrir, sem encontrar nossa paz e sem seguir nossos propósitos.

Se o mundo não ficasse nos dizendo como devemos ser, o que devemos fazer, como devemos pensar e viver, muita coisa seria diferente. As crianças cresceriam sem essas limitações, conscientes de si e sabendo que podem e devem apenas ser.

Formariam uma sociedade confiante de sua capacidade, inconformada e questionadora, que criaria melhor e mais rápido, acreditaria em seus ideais e sonhos e promoveria mudanças. Movida pelo amor, pelo genuíno interesse, e pela vontade interna, tornaria o mundo um lugar mais leve, mais gostoso, mais autêntico e mais livre.

Soou utópico? Também achei, mas é uma visão que me agrada muito mais que a atual. E enquanto não podemos mudar o mundo imediatamente, podemos sim tornar as nossas vidas mais leves, gostosas, autênticas e livres. Falta apenas despertarmos a nossa consciência. E se cada indivíduo resolver mudar de vida, a utopia de um mundo transformado começa a parecer menos utópica, não?

Mas ao invés disso, somos incentivados a fazer o contrário. Acordamos todas as manhãs certos de que temos metas a bater, clientes a atender, financiamentos a pagar, pessoas a agradar e ambições a conquistar. Em que momento do dia nos perguntamos porque estamos fazendo o que fazemos?